Introdução: O gossypiboma, também denominado textiloma, caracteriza-se pela retenção inadvertida de compressas ou materiais têxteis no organismo após procedimentos cirúrgicos, sendo considerado um evento adverso grave, evitável e relacionado à falha nos protocolos de segurança do paciente. Embora apresente baixa incidência, suas repercussões clínicas, éticas e legais são significativas, podendo ocasionar infecções, obstruções, formação de abscessos, necessidade de reintervenções cirúrgicas e aumento da morbimortalidade. Objetivo: Analisar as evidências científicas acerca dos fatores associados à ocorrência do gossypiboma, bem como das estratégias de prevenção e das implicações clínicas e legais decorrentes desse evento adverso. Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada mediante busca nas bases de dados PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram selecionados artigos publicados entre 2019 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português e inglês, que abordavam a retenção de compressas cirúrgicas, seus fatores de risco, medidas preventivas e consequências clínicas e legais. Os estudos incluídos foram analisados de forma descritiva e qualitativa. Resultados: Os estudos evidenciaram que falhas na contagem de materiais, comunicação ineficaz entre os membros da equipe, procedimentos de urgência, cirurgias prolongadas, alterações intraoperatórias do planejamento cirúrgico e elevado índice de massa corporal constituem importantes fatores de risco para o gossypiboma. A implementação rigorosa da Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da Organização Mundial da Saúde, a realização sistemática da contagem de compressas e instrumentais, o uso de materiais radiopacos e tecnologias de rastreamento por radiofrequência ou código de barras mostraram-se eficazes na prevenção desse evento. Conclusão: O gossypiboma permanece como um importante indicador de falhas nos processos assistenciais cirúrgicos. O fortalecimento da cultura de segurança, aliado à adoção de protocolos padronizados, educação permanente e incorporação de tecnologias de rastreamento, constitui estratégia essencial para prevenir esse evento adverso, reduzir danos aos pacientes e minimizar repercussões legais e institucionais.
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